Porque as pessoas casam (a teoria dos domingos)

A teoria só se aplica nos casos em que os assuntos não têm fim, mas os silêncios não são incômodos, onde há encaixes e encantos. O colo do outro deve ser considerado o melhor lugar do mundo. Os jantares chiques são tão deliciosos quanto os miojos em fins de semana de preguiça. O critério mais importante para que a teoria seja verdadeira é que cada um possa ser ele mesmo, inteiro, com defeitos e histórias ridículas e que o outro ao ver toda essa inteireza fique, mesmo assim. Continuar lendo Porque as pessoas casam (a teoria dos domingos)

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Você confia?

Acredito que estabelecemos relações de confiança com as pessoas em geral. E, loucura ou não, nossa tendência ainda é confiar. Quando os carros param na faixa para os pedestres, atravessamos porque confiamos que o sujeito não vai mudar de ideia e acelerar o carro sobre nossos frágeis corpos. O mesmo acontece quando dormimos em hotéis e não achamos que alguém vai entrar no quarto no meio da madrugada. Continuar lendo Você confia?

Pequenos sofrimentos

No meio de tudo mais que temos que fazer na vida, a gente se acostuma. A gente come um monte de leite-condensado, fica meio mal, mas está ocupado demais para dar atenção para essa dor. A gente tem namorados ruins*, empregos terríveis e vai a lugares que não gostamos muito.  Entre o trânsito de manhã cedo, o horário de almoço curto demais, as roupas para lavar, deixamos o que dói, o que não é tão bom, continuar na nossa vida, porque estamos ocupados demais para nos observar, para questionar se aquilo deveria mesmo estar ali e ser daquele jeito. Ou estamos apenas acostumados demais e não somos nem capazes de enxergar que pode ser melhor, mais bonito, mais alegre. Continuar lendo Pequenos sofrimentos

O sentido da vida diante do asfalto (ou o dia em que fui atropelada)

Saí de casa numa manhã quase fresca para os padrões cuiabanos. Subi a rua feliz pela sexta-feira que chegava após uma semana longa. Em menos de 10 minutos, estava cruzando a avenida, já quase em frente ao local que deveria ir. Vi uma moto. E, logo, estava no chão. O asfalto é menos quente do que eu poderia supor numa cidade cuja temperatura normal costuma ser acima de 30 graus. Continuar lendo O sentido da vida diante do asfalto (ou o dia em que fui atropelada)

Eu não sou o centro do mundo

Eu queria gritar para a Lívia pequena e para todo o mundo: ninguém está nem aí para você, então não se preocupe tanto! É para me lembrar disso, inclusive, que escrevo esse texto. De vez em quando, fico com a ideia doida de que o mundo gira bem entorno desse meu importante umbigo, e a vida fica bem mais leve quando vejo que, na realidade, não sou tão importante assim. Continuar lendo Eu não sou o centro do mundo

É preciso escutar os outros

Desde que eu comecei a estudar inglês, era péssima com a parte de listening. Não entedia o que falavam, mesmo quando eu era capaz de contar histórias inteiras no idioma. Desde sempre, falei mais do que escutei, contrariando a razão de ter dois ouvidos e uma boca. Quando tinha um ano, surpreendi a professora de natação, que nunca vira criatura daquele tamanho tão falante. Desde … Continuar lendo É preciso escutar os outros

E se eu morresse hoje?

Num dia nublado, entrei num avião. Lá fora só via cinza. Meio sem o que fazer, comecei a buscar assuntos na minha cabeça. Certamente influenciada pela possibilidade de turbulência, me veio a descabida pergunta. E se eu morresse hoje? Não que a questão me preocupasse de fato. Na semana anterior eu havia feito um tarô e as cartas só mostraram alegria, amor e prosperidade. Porém, … Continuar lendo E se eu morresse hoje?

Recortes de nós

Outro dia, um amigo comemorou o aniversário dele com um jantar num restaurante chique. A comida veio fria e não estava lá essa maravilha. Na hora dos parabéns, foi servido um espumante. Meio de brincadeira, anunciei que faria uma foto que fizesse com que a pessoas pensassem que eu estava num encontro. Posicionei o espumante, que eu nem estava tomando, pois estou com gastrite, ao … Continuar lendo Recortes de nós