Você pode mudar de ideia

Matrícula é uma taxa que se paga para evitar a mudança de ideia. Quando eu era criança e ia começar alguma atividade nova, minha mãe me colocava para fazer uma aula experimental antes. Então, ela dizia para eu pensar se queria mesmo aquilo. Se eu dissesse que sim, ela logo avisava que depois que pagasse a matrícula e comprasse o uniforme (ou os acessórios necessários … Continuar lendo Você pode mudar de ideia

Saudade do que não foi

A saudade mais besta é aquela das coisas que não vivemos. É uma saudade doída do que não foi, mas poderia ter sido. É baseada em memórias do que não aconteceu. É saudade do sonho e daquilo que não se viveu.  É mais pena que saudade. É mais vontade que realidade. É saudade daquela viagem que por alguma razão não pegamos o avião. Daquele emprego … Continuar lendo Saudade do que não foi

Agir com o coração

Eu fui uma criança medrosa. Nunca quis dormir na casa de nenhuma amiga, só dormia na casa dos meus tios. Tinha pavor de gatos e cachorros. Era ver e sair correndo. Na verdade, não simpatizava com qualquer animal mais assustador que tartarugas, borboletas e peixinhos.  Brincadeiras que envolvessem riscos não eram meu forte. Sempre, antes de ir a algum lugar com minha mãe perguntava se … Continuar lendo Agir com o coração

365 dias de Irlanda

Um ano atrás, no meio da madrugada, começo a tirar coisas da minha mala. Tinha me recusado a fazer isso o dia todo, apesar de saber que a mala pesava mais do que deveria. Entre lágrimas, pensava que as coisas que deixaria ali não fariam mais falta do que as pessoas que deixaria para trás. Fechei a mala. Na correria, esqueci o lanche que minha … Continuar lendo 365 dias de Irlanda

Eu vou para a Escandinávia

Eu vou viajar para a região da Escandinávia em dezembro. É um lugar frio numa época fria. Então, vai fazer frio. Muito frio. Eu não gosto de frio, é pior para fazer turismo e anoitece super cedo. Pois é. Além de o destino ser caríssimo até para quem ganha em Euro. E eu vou para Escandinávia em dezembro, mesmo assim. Um amigo queria ajudar e … Continuar lendo Eu vou para a Escandinávia

Saiu como se fosse à esquina

Saiu como se fosse à esquina. Subiu no avião como se fosse comprar pão, sem pretensão. Não queria nem se despedir, pois era um até logo, já que logo voltava.  Deixou muito para trás e olhou pra frente, viu o sonho e saiu correndo. Correu tanto que voou. Foi. Nunca mais voltou.  Já não volta mais. Já não é igual. É outra. E é a mesma. … Continuar lendo Saiu como se fosse à esquina

Cabeça, coração e pés

Tive a seguinte conversa há algumas semanas com a atendente do seguro saúde: – Mas a senhora reside onde, em Portugal ou na Irlanda? – Agora estou morando na Irlanda, então não posso estar residindo em Portugal. Eu não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo. Minha resposta literal e óbvia me fez perceber que Portugal ainda vivia em mim. Mas assumo que a … Continuar lendo Cabeça, coração e pés

Sobre voltar ou ir embora

Falta um mês para você voltar. Ou falta um mês para ir embora. As duas coisas são a mesma coisa. É como aquela música de uma novela que dizia que chegar e partir são só dois lados da mesma moeda. Você vai embora depois de alguns anos morando fora. Acho engraçada essa expressão, porque morar deveria ser sempre dentro, não é mesmo? Você já deve … Continuar lendo Sobre voltar ou ir embora

Saindo da zona de conforto

Queremos mudar de vida, mudar de emprego, mudar de país. Queremos jogar tudo para o alto, viajar o mundo e postar fotos felizes nas redes sociais. Queremos conhecer novas culturas, aprender um idioma, viver uma vida nova. Queremos sair da zona de conforto, mas nos esquecemos de que essa expressão é mais literal do que a maioria de nós gostaria. Fiquei doente na semana passada … Continuar lendo Saindo da zona de conforto